Miguel Pereira Atlético Clube completa 96 anos
Com quase 100 anos o MPAC se prepara para uma nova página na sua história
30/04/2026
Historiador Sebastião Deister
Edição 533
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O Miguel
Pereira Atlético Clube, entidade social e desportiva tão conhecida e apreciada
pelo povo miguelense, foi fundado em 26 de abril de 1930 na sala de visitas de
Manoel Bernardes Sobrinho, o famoso "Seu
Manduca da Estiva".
Na
realidade, o clube foi criado em função de um capricho de Manduca e tão-somente
para fazer frente ao Estiva Futebol Clube (origem do atual Estrela Futebol
Clube), já que ele e seus companheiros - em especial Calmério Rodrigues
Ferreira, o "Juju" - não aceitaram a
imposição do nome da senhorita Conceição Setúbal Ritter para o posto de
madrinha do Estiva. Como naquela nostálgica época tal cargo social assumia ares
de enorme importância pessoal na vila, sua disputa anual era sempre acirrada,
quando os homens de maior influência econômica do lugar tratavam de apontar
suas candidatas àquele posto tão prestigiado.
Assim, nos
meses iniciais de 1930 Manduca pretendia ver sua filha Maria Ramos Bernardes
ocupando aquela elevada posição social na incipiente Miguel Pereira, mas os
diretores do Estiva (entre os quais alguns desafetos de Manduca e Juju, como
Geraldino Caetano da Fraga, Nagib Ahouage, Bonifácio de Macedo Portela, Aurélio
Barile e o Dr. Oscar Setúbal Ritter, irmão da pretendente) mantiveram sua
posição, razão pela qual a dissidência mostrou-se inevitável, levando o grupo
liderado por Manduca e Juju a fundar o Miguel Pereira Atlético Clube.
Claro
está que o seu primeiro presidente foi Manduca, coadjuvado em sua diretoria
pelos senhores João Alberto Masô, Felipe Carvalho, Alzino Ferreira Tintas,
Calmério Rodrigues Ferreira, Antônio Ferreira Real, Daniel Bernardes Filho,
Francisco Vilet Peralta e Dalvet Rodrigues Ferreira.
Inauguração do campo
O campo
do novo clube foi inaugurado no dia de Santo Antônio, 13 de junho de 1930 em
terras cedidas por Juju, nas quais hoje se ergue o Colégio Estadual Dr. Antônio
Fernandes. Seu time de futebol logo se mostrou poderoso e temido, tornando-se
célebres seus embates contra o Estiva FC e o Portela AC.
Em 1954,
entretanto, o Departamento de Engenharia do Estado do Rio de Janeiro propôs à
direção do Miguel Pereira Atlético Clube a compra do terreno onde se localizava
o campo de futebol, uma vez que o governo pretendia ali construir um colégio
estadual. Uma vez que Juju mostrava vivo interesse no negócio - por ser ele o
proprietário daquelas terras e pelo fato de a oferta ser bastante tentadora -
nada restou ao clube senão oficializar sua venda em 26 de setembro de 1954,
fato que, naturalmente, causou enorme tristeza em Miguel Pereira. De qualquer
forma, o clube continuou existindo legalmente (somente seu futebol fora
desativado), visto que à rua General Ferreira do Amaral já funcionava sua sede
social (onde hoje temos a Loja Gasparzinho Tintas). Porém, por iniciativa do
senhor José Tertuliano Gomes - então seu presidente - o MPAC deslanchou uma
grande campanha na cidade no sentido de adquirir uma ampla área para que nela
se levantasse sua nova sede, cuja pedra fundamental foi lançada no ano de 1964.
Foi a partir daí que nasceram na cidade as belas dependências do clube, hoje um
patrimônio de incalculável valor em Miguel Pereira. Apesar de enfrentar nos
últimos anos por problemas de ordem judicial por conta de uma diretoria que
tentou vender todo aquele imenso complexo arquitetônico e cultural, o clube
hoje está de volta às mãos de seus legítimos donos: o grupo associado que
jamais o abandonou.
Figuras
conhecidas da cidade perfilaram com brilhantismo nos times do MPAC, entre eles
Mário Lopes Rêgo, Moacir Machado, Izaías de Souza, Paulinho "Aviador", Célio
Moreira, Nelson "Brechó", Altemir Rezende, Mário Bacellar, Hamilton Ferreira
Gomes (que chegou inclusive a jogar no Clube Atlético Mineiro), Bruno Martins,
Tião Costa, Tião "Urutu", Juquinha Fraga, Vavá Pereira e - em especial - Hélio
Moreira, um filho autêntico de Miguel Pereira que fez fama no América Futebol Clube
do Rio de Janeiro e na Seleção Brasileira campeã da Taça Atlântico e da Taça
Oswaldo Cruz em 1956.
Foto 1 - Inauguração do campo em 1930
Foto 2 - Hélio Moreira com Garrincha