Setembro em Paty do Alferes & Vassouras
Vale do Paraíba Fluminense: Cenas, Fatos & Curiosidades
25/09/2026
Historiador Sebastião Deister
Edição 538
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O mês de setembro envolve uma
configuração histórica muito interessante com Paty do Alferes. Datas
importantes marcaram a trajetória da antiga Vila de Nossa Senhora da
Conceição de Serra Acima da Roça do Paty do Alferes, entre elas dois
acontecimentos relevantes que não podem ser esquecidos e que precisam ser
sempre trazidos à luz: a criação da Vila
de Paty do Alferes por D. João VI (em 4 de setembro de 1820) e o enforcamento
do negro Manoel Congo (em 6 de setembro de 1839).
No bojo de um notável conjunto de coincidências
históricas e cronológicas, consideramos válido registrar as seguintes efemérides:
26 de
setembro de 1769: Inácio
de Souza Werneck, o patriarca da Fazenda de Nossa Senhora da Piedade de Vera
Cruz, casa-se no Rio de Janeiro com Francisca das Chagas Monteiro.
6 de
setembro de 1780: Nasce
em Minas Gerais Francisco José Teixeira, o futuro barão de Itambé, pai do barão
de Vassouras e avô de Eufrásia Teixeira Leite.
4 de
setembro de 1804:
Francisca (ou Maria) Elisa (ou Elísia) Xavier casa-se com o capitão Manoel
Francisco Xavier, proprietário das fazendas Freguesia, Santa Teresa e
Maravilha, dono e algoz de Manoel Congo.
14 de
setembro de 1817: O já
então padre Inácio de Souza Werneck realiza o batizado de uma bisneta na
Fazenda da Piedade de Vera Cruz.
4 de
setembro de 1820: O
Regente D. João VI assina o Alvará Real criando a Vila de Paty do Alferes, com
o novo título substituindo a primeva denominação de Freguesia.
5 de
setembro de 1820: É
instalada a 1ª Câmara de Paty do Alferes, com a posse de seus primeiros
vereadores.
6 de
setembro de 1839: Manoel
Congo é enforcado em Vassouras em função de ter liderado uma revolta e ter
libertado mais de 300 escravos.
29 de
setembro de 1857: a Vila
de Vassouras é elevada à categoria de cidade.
6 de
setembro de 1864: Morre,
em Vassouras, Francisca Bernardina do Sacramento Leite Ribeiro, a baronesa de
Itambé, avó de Eufrásia Teixeira Leite.
25 de
setembro de 1903: o
Coronel Joaquim Ribeiro de Avelar vende a Fazenda de Nossa Senhora da Piedade
de Vera Cruz a Francisco Santoro.
7 de
setembro de 1913: é
inaugurado o primeiro sistema público de luz elétrica em Vassouras.
6 de
setembro de 1987:
realiza-se em Paty do Alferes o plebiscito que iria determinar sua emancipação
político-administrativa de Vassouras.
2 de
setembro de 1971: é
oficializado, pelo presidente Emílio Garrastazu Médici, o Hino Nacional como um
dos símbolos pátrios, cuja letra é de autoria de Joaquim Osório Duque Estrada,
nascido em Paty do Alferes em 28 de abril de 1870.
Reprodução
do alvará de criação da Vila de Paty do Alferes
assinado
pelo regente D. João VI
(Com manutenção da grafia
da época)
"Eu, El-Rey, faço saber aos que este Alvará com Força de Lei virem,
que aos quatro dias do mês de setembro do ano do nascimento de Nosso Senhor
Jesus Cristo de mil e oitocentos e vinte, hei por bem criar no sobredito lugar
PATY, uma Vila com a denominação de VILA DE PATY DO ALFERES, que terá por termo
todo o território entre as Vilas de São João do Príncipe e de São Pedro de
Cantagalo, limitando-se ao Norte pela Serra da Mantiqueira e pelo Rio
Paraibuna, e ao Sul pelo seguimento da Serra do Mar e cordilheira do Tangoá,
ficando porém excluída do mesmo termo a Freguesia de Nossa Senhora da Glória de
Valença, que já foi servido mandar erigir em Vila."
Ass. D. JOÃO VI - REI DE PORTUGAL E DO BRASIL
Nomeação dos Primeiros Vereadores de Paty
(Com a grafia de época)
"Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil e oitocentos e
vinte e hum annos aos quatorze dias do mez de março do dito anno, nesta Villa
de Paty do Alferes e Casa da Câmara della aonde achavão os Juízes Ordinários e
Capitão Mór Francisco Xavier, o Capitão Francisco das Chagas Werneck, os
Variadores Antônio Gomes da Cruz, Manuel João Goulart e Capitão José Lopes de
França, o Procurador, o Alferes José de Souza Vieira, e comparecendo os empregados
públicos mais pessoas da Nobreza e o povo abaixo assignados e sendo lido
Officio do Desembargador Ouvidor Geral e Corregedor desta Comarca Registrada no
Livro a folha tres, prestarão todos os juramentos pondo as mãos nos Santos
Evangelhos na forma seguinte - Juramos veneração e respeito à nossa Religião,
obediência a El-Rey e a observar, guardar e manter perfeitamente Constituição
tal qual se fizerão em Portugal e pelas Cortes - E para constar fiz este Auto
que todos assignarão".
Eu, Antônio Borges de
Carvalho, Escrivão que na falta de Escrivão da Câmara o escrevi e assigno.
Antônio Borges de
Carvalho.
O Juiz Ordinário
Manoel Francisco Xavier.
O Juiz Ordinário
Francisco das Chagas Werneck.
Variador Manoel João
Goulart.
Variador Antônio
Gomes da Cruz.
Variador José Lopes
Pontes.
Procurador José
Vieira.
Duas
Observações Importantes:
Em princípios do século
XIX, o termo era "VARIADOR ou "VEADOR" e não "VEREADOR". A citação de Vassouras
em algumas datas prende-se ao fato de que, à época, Paty era parte integrante
daquele município.