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1º de Maio, quem vai votar contra os trabalhadores?
Em 1962, havia 250 deputados federais financiados pela CIA dentro do Congresso brasileiro. Os Estados Unidos não mandaram tanques pro Brasil, mandaram dinheiro através do IBAD, uma organização fachada ligada à CIA.
Edição: 533
Data da Publicação: 30/04/2026
Se,
hoje, você tem direitos como férias remuneradas, 13º salário etc., é porque, lá
atrás, alguém lutou pelos seus direitos.
No
início do século XX, as jornadas de trabalho eram de 14 a 16 horas diárias, o
que fazia parte da rotina; o trabalhador brasileiro era apenas mais uma peça da
máquina. Em 1917, contudo, o operariado disse basta! E a primeira greve geral
parou o país e provou que direito não se ganha, se conquista na rua.
Décadas
depois, em 1943, o presidente Getúlio Vargas criou a CLT, para estabelecer as
leis do trabalho e equilibrar a relação patrão x empregado, um marco que também
nasceu da pressão e da mobilização do movimento sindical.
Só
em 1962, o 13º salário foi instituído no governo João Goulart por meio da Lei
4.090, de 13 de julho de 1962. Muita gente foi contra, diziam que o 13º salário
iria quebrar as empresas e o Brasil, e, mesmo assim, essa vitória mudou a
economia do país e de muitas famílias.
Mas
a história não é uma linha reta, e, durante o regime militar, entre 1964 e 1985,
as greves foram proibidas e a estabilidade no emprego foi trocada pelo FGTS. Em
1988, após a volta da democracia, a Constituição Federal reduziu a jornada de
48 para 44 horas semanais.
Por
um tempo, o trabalhador esteve em paz, mas, há pouco tempo, as garantias foram
atacadas novamente. Em 2017, a reforma trabalhista do governo Temer alterou
mais de 100 pontos da CLT, ampliando a flexibilização e aumentando os índices
de informalidade.
Agora
a disputa e o debate continuam com vistas a uma vida mais digna, mas, para isso,
é preciso acabar com a jornada 6 por 1 - seis dias trabalhados e apenas um de
descanso, aliás como já é na indústria, no serviço público etc.
O fim da escala 6x1
passará no Congresso Nacional?
Não
sei, mas, para saber, é preciso entender como o Congresso funciona.
Em
1962, havia 250 deputados federais financiados pela CIA dentro do Congresso
brasileiro. Os Estados Unidos não mandaram tanques pro Brasil, mandaram
dinheiro através do IBAD, uma organização fachada ligada à CIA. Foram
despejados 5 milhões de dólares em campanhas eleitorais com objetivo de montar
uma bancada conservadora no Congresso, para travar o governo João Goulart por dentro.
E funcionou. Cerca de 150 deputados formaram a ação democrática parlamentar,
uma frente criada para paralisar as reformas e abrir caminho para o golpe
militar. Uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) investigou e descobriu
tudo, mas a documentação do IBAD foi queimada antes das investigações e ninguém
foi punido.
Dois
anos depois, em 1964, os militares deram o golpe, mas o Congresso já estava
comprometido 2 anos antes. Os Estados Unidos não precisaram invadir o Brasil,
eles simplesmente elegeram o Congresso que queriam.
A pergunta que fica...
Em
1962, eram 250 deputados. A pergunta que fica é: hoje, em 2026, quantos
deputados trabalham contra o Brasil e a serviço de quem?
De
qualquer forma, em ano eleitoral, a história é um pouco diferente, e por isso
deputados que votam contra os trabalhadores não querem que esse projeto seja
colocado em votação, dando a desculpa que é preciso discutir a matéria com "mais
calma" após as eleições.
Isso
não vai acontecer. O presidente Lula enviou para o Congresso Nacional Projeto
de Lei com urgência constitucional, isso significa que o Projeto tem 45 dias
para ser votado (na Câmara dos Deputados e mais 45 dias no Senado Federal),
caso contrário, tranca a pauta e nada é votado. Vamos ver como será essa
tramitação.