José Antônio da Silva (Zé Nabo): 110 Anos de Nascimento
Ações sociais despertaram-lhe uma veia política ainda desconhecida, tanto que se elegeu com relativa facilidade, em 1956
20/02/2026
Historiador Sebastião Deister
Edição 531
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José Antônio da Silva, o popular Zé Nabo, nasceu em
Governador Portela no dia 14 de abril de 1916, sendo filho de Joaquim Antônio
(em Portugal, Antunes) da Silva e Maria Nunes da Silva (Bequita), tornando-se
órfão de pai com apenas 10 meses de idade ao lado da irmã Isaura, esta com 3
anos.
Em 1918, sua mãe casou-se uma segunda vez, esposando
o senhor João da Silva, um sapateiro muito hábil que logo repassou para o
garoto os segredos dessa profissão. Ao completar 14 anos, o rapazola passou a
trabalhar na loja do Sr. Aurélio Barile, em Miguel Pereira. O comerciante, além
disso, fazia parte da direção do Estiva Futebol Clube (atual Estrela), clube
onde José Antônio aprendeu a dar seus primeiros passos como goleiro no futebol
da cidade.
Depois de 4 anos de trabalho com Barile, José
Antônio seguiu para o Exército, servindo em Deodoro como voluntário e ganhando
assim seus primeiros trocados. Ao voltar para Portela, em 1937, precisou
retomar os serviços de sapateiro para viver, mas logo retornou para o Rio de
Janeiro em função de uma desavença amorosa, cidade em que passou os piores anos
de sua vida, tendo de dormir na rua, vender balas pelas esquinas e até mesmo pedir
dinheiro aos transeuntes para matar a fome. Felizmente, obteve um posto de
condutor de bonde na Light, cargo que ocupou por três anos.
Após a morte do padrasto, voltou a Portela, casando-se
então com D. Lenice Barreiros e tendo com ela seis filhos: Renato (Branquelo),
Vitorino (Vitinho), Analice, Maria José (Zezeca), Ronaldo (Canal) e Sérgio
(Barata).
No ano de 1943, já com 27 anos, conseguiu enfim sua
estabilidade social e financeira, empregando-se na Estrada de Ferro como
torneiro mecânico. Participativo e solidário, batalhou ao lado dos colegas
Walter Goulart, Chicandinho e Chiquinho Marques - além de muitos outros
ferroviários - em busca de melhorias de condições de trabalho e salários a
partir de uma inédita greve de ferroviários desencadeada em 1949. Embora as
consequências desse movimento tivessem trazido a Zé Nabo sérios contratempos e
até mesmo humilhações, o bravo portelense não se deixou abater.
Por outro lado, essas ações sociais despertaram-lhe
uma veia política ainda desconhecida, tanto que se elegeu com relativa
facilidade, em 1956, para a primeira câmara de vereadores do recém-emancipado município
de Miguel Pereira.
Segundo seu filho Vitorino, no livro biográfico
Camaradas (2006, p. 23-24),
"A guerra de nervos
foi grande. Zé Nabo e outros, por muito tempo, viveram sendo transferidos de um lugar para outro.
Corinto, Jarnaúba, Monte Azul e Montes Claros. Sofreram bastante, mas valeu a
pena. "O sofrimento é constante na vida dos idealistas". Hoje a greve é coisa
comum, e até legal, e esse direito que temos é mérito dos homens do passado.
Aos poucos a vida ia lapidando um líder".
Zé Nabo tomou posse como segundo prefeito miguelense
em 31 de janeiro de 1959, tendo a escudá-lo o vice-prefeito o Dr. Eugênio
Albino dos Santos e a acompanhá-lo os vereadores Abelardo Teixeira de Carvalho,
Regy Alves de Araújo Lima, Corintho de Almeida e Silva, Francisco Ramos
Bernardes, Adalmar Corrêa da Silva, Darcy Jacob de Matos, Venícius Ferreira
Gomes, Odilon Soares Vieira e Helena Cavalcante do Nascimento (a esposa do
cantor Luiz Gonzaga).
Dois meses antes do término do mandato, Zé Nabo
afastou-se do cargo e concorreu a uma vaga de deputado estadual, obtendo-a com
brilhantismo e tomando posse na Assembléia em 31 de janeiro de 1963. Contudo,
movimentos políticos obscuros, até hoje não esclarecidos, fizeram-no ser
cassado pela Revolução de 1964, o que o obrigou também a se aposentar como
ferroviário.
O destemido portelense jamais se desesperou ou
deixou de batalhar pelo resgate de sua honra ferida, tanto que, com a Lei da
Anistia, foi devidamente recuperado moral e politicamente. Sem embargo,
conseguiu ele uma segunda gestão como prefeito de Miguel Pereira, assumindo o
Poder Executivo em 31 de janeiro de 1983 e dirigindo nosso município com
hombridade e muita decência até 1 de janeiro de 1989, tendo a seu lado o senhor
Benício de Oliveira Mesquita como vice-prefeito e na Câmara os vereadores
Sebastião de Sant'Anna Bastos, Sérgio Rodrigues, Sílvio Xavier, Izaac Monteiro,
Rubem de Jesus, Manoel Gomes de Assumpção, Geúdece Lopes Ribeiro, José Sylvio
Gomes, Gilberto de Araújo Lima, Mário Alves de Moraes Soares e Ildefonso César
Seves Neves.
José Antônio da Silva
faleceu em Portela no ano de 1995, aos 78 anos de idade.