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Prof Adalice de Figueiredo Soares

Adalice desembarcou em Governador Portela ao lado do tio no princípio da década de 1910

 31/03/2026     Historiador Sebastião Deister      Edição 532
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Paulista da cidade de Taubaté, Adalice de Figueiredo nasceu em 2 de abril de 1895, oriunda, no entanto, de uma família mineira radicada em Ribeirão Vermelho, pequena localidade vizinha da cidade de Lavras, localizada no sul/sudoeste do estado de Minas Gerais, inserida na região intermediária de Varginha e a cerca de 245 km de Belo Horizonte.

O pai morreu pouco antes do nascimento da menina, razão pela qual ela foi criada pelo tio Salatiel, irmão de sua mãe de nome Maria de Figueiredo.

Como o tio desempenhava as funções de Agente de Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, Adalice acabou por acompanhá-lo em sua suas várias transferências de cidade, inconveniente que, entretanto, não a impediu de freqüentar bons colégios até concluir o antigo ginásio, curso de primeiro grau que era considerado de altíssimo nível nos anos iniciais do século XX.

Adalice desembarcou em Governador Portela ao lado do tio no princípio da década de 1910. No ano de 1914 - quando mal completara 19 anos - casou-se com José de Vasconcelos Bezerra de Melo, perdendo o marido poucos meses antes do nascimento de sua filha Ruth.

Para criar a filha, Adalice então passou a dar aulas particulares para dezenas de filhos dos numerosos ferroviários portelenses, logo demonstrando uma inata capacidade de transmitir conhecimentos que faria dela uma alfabetizadora de primeira linha. De pronto a jovem professora adquiriu experiência na arte do magistério e grande prestígio pessoal junto às famílias daquela localidade, as quais nela percebiam um forte carisma e uma notável habilidade pedagógica junto aos jovens estudantes de Governador Portela. Corriam então os primeiros decênios do século XX, e por conta de suas múltiplas tarefas diárias a vida se mostrava difícil em razão do trabalho doméstico e dos percalços ditados pela criação sozinha de sua filha ainda pequena.

Estabilizando um pouco mais suas atividades, e conseguindo compatibilizar os horários de aula com os serviços de casa, Adalice casou-se com Américo Rodrigo Soares, membro de uma tradicional família portelense, gerando com ele os filhos Elza, João, Eni, Leda, Neusa, Nara, Edna, Sebastião e Luci, além de duas crianças natimortas. Dentre as filhas, a primogênita Ruth seguiu os passos exemplares da mãe e também tornou-se professora, trabalhando por muitos anos no Colégio Estadual Dr. Álvaro Alvim.

Em maio de 1938, Adalice participou da criação do Grupo Escolar de Governador Portela, então batizado como Escola Mista de 1º Grau de Portela, ao lado de colegas também muito conhecidas, entre elas Maria do Carmo Fadul, Maria Juvelina Abreu, Rita de Cássia Batista, Conceição Costa Pinto e Carmelita de Lucca, além de uma jovem professora de apenas 16 anos chamada Aristolina Queiroz de Almeida. Já em 20 de dezembro de 1941, o corpo docente de Portela se regozijava com a troca do título Escola Mista para Grupo Escolar Dr. Álvaro Alvim, hoje Colégio Estadual.

Adalice trabalhou incansavelmente até os meses iniciais de 1949, mesmo enfrentando as agruras de um câncer. Faleceu em 2 de novembro daquele ano, quando contava apenas 54 anos, deixando em Portela um vivo exemplo de profissional dedicada e apaixonada pelo magistério.

A Escola Normal, criada em 11 de fevereiro de 1960 por iniciativa de Adalmar Corrêa da Silva e referendada pelo então governador Roberto Silveira, passou a ostentar, com justiça, o nome daquela admirável professora. Teve como primeira diretora a professora Cecília Gomes Ribeiro, como primeira secretária a professora Therezinha Pires dos Santos e como inspetora escolar a também professora Sandra de Carvalho Leitão.

Tal unidade de ensino foi municipalizada em 2002 pelo prefeito Fernando Pontes Moreira, após ser administrada pela Campanha Nacional de Educandários da Comunidade (CNEC) por cerca de quarenta anos. Suas dependências atualmente abrigam, além das séries regulares do Ensino Fundamental, os cursos ligados à Universidade Aberta do Brasil (CEDERJ/CECIERJ), mas o nome de Adalice Soares lá continua a lembrar o pioneirismo e a abnegação de uma mestra inesquecível.