Fazenda Rio Novo
A Fazenda Rio Novo foi revitalizada pelo barão Ribeiro de Sá, que assumiu os seus negócios após casar-se com a futura baronesa do Rio Novo
30/01/2026
Historiador Sebastião Deister
Edição 530
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A inspiração para o nome desta fazenda provém do riacho homônimo que
passa pela propriedade. Seus primeiros donos compraram esta porção de terras,
que pertencia à Fazenda da Paraíba, de 24 diferentes proprietários, em 1845.
Após ficar em condições ruins e com grandes dívidas, a Fazenda Rio Novo
foi revitalizada pelo barão Ribeiro de Sá, que assumiu os seus negócios após
casar-se com a futura baronesa do Rio Novo, Maria de Trindade Araújo. Ela havia
herdado, junto com os filhos, a fazenda de seu antigo marido, João Antônio de
Araújo e Silva, da família dos primeiros proprietários. Miguel Ribeiro de Sá,
que pagou as dívidas e transformou a fazenda em pouco tempo, chegou aos 15 anos
em Paraíba do Sul, começando a trabalhar como empregado de casa de negócios,
sendo depois mascate, quando adquiriu seu primeiro escravo para carregar seus
produtos. Foi viajando pelo interior do estado que conheceu sua futura esposa e
estabeleceu contatos que permitiram sua incrível trajetória. Ele se tornou
notório pelo trabalho de transformação da fazenda então endividada em
importante unidade cafeeira e ocupou os mais importantes cargos públicos do
município paraibano.
Quem planejou a construção da nova sede da Rio Novo, no final dos anos
1870, foi o arquiteto francês Pierre Pézerat, que estava atuando também na
reforma do Paço Imperial, no Rio de Janeiro. Seu nome está associado aos
parâmetros de equilíbrio, simetria e ritmo, que deram origem ao movimento
Neoclássico na Europa. O estilo da casa, conhecido como Chalé, foi transportado
das cidades para as áreas rurais na segunda metade do século XIX, ganhando ali
dimensões avantajadas e a pompa dos barões do café.
Com a derrocada do café no Vale do Paraíba, a fazenda foi vendida pelo
filho do barão Ribeiro de Sá a diferentes donos. Sua sede foi reformada por
Sérgio Lacerda, que modernizou a casa e adquiriu novo mobiliário. Hoje, os
herdeiros da fazenda Rio Novo dedicam-se à pecuária leiteira.
Construída já
nos estertores do ciclo cafeeiro, a fazenda exibe uma disposição arquitetônica
incomum na sua fachada, em que a capela, embora interligada à casa, passa a
impressão de ser uma construção independente. Em sua torre podem ser admirados
o sino em bronze trabalhado e a estátua decorativa colocada sobre a platibanda
do telhado. A capela exibe, ainda, um beiral de argamassa,
cal areia e terra.
A casa-sede está implantada no sopé de um morro, tendo sua fachada
principal voltada para o gramado com chafariz, local do antigo terreiro de
secagem do café. Para se chegar a casa, há uma via lateral que nasce em curva
da Estrada da Palestina. Da fachada lateral direita vislumbra-se densa e rica
arborização.
A implantação aproveitou a bela topografia do entorno, distribuído
harmoniosamente no desnível natural do terreno, ao lado da via de acesso.
Assim, a capela mantém entrada ao nível do porão, enquanto o primeiro pavimento
é alcançado pela escada frontal e o segundo pavimento por uma ligação ao sótão.
O solar da fazenda configura uma construção de um pavimento sobre porão
habitável, que mantém corpo central elevado, como uma camarinha, terminado em
chalé.
Na fachada principal há forros em madeira nos beirais, e, abaixo destes,
mãos-francesas decorativas arrematadas por lambrequins de madeira, havendo,
ainda, platibanda com cimalha e beiral de arremate em telhas francesas.
A porta de entrada e as janelas são em duas folhas, em vergas retas. As
janelas mantêm venezianas de madeira por fora e caixilhos de vidro por dentro e
a porta, esquadria de vidro por fora e venezianas de madeira por dentro, todas
com bandeiras de vidro. Na fachada lateral esquerda há diferenciação por ter
sido modificada quando da reforma, exceção feita pela porta da capela em arco e
as portas que saem do porão.
Como elementos decorativos e ornatos dignos de nota na fachada principal,
há vasos cerâmicos esmaltados na varanda sobre o alpendre que guarnece o acesso
principal (que em foto antiga era diferente); duas estátuas humanas
greco-romanas nos extremos da platibanda à guisa de coruchéus (pequenas torres
que coroam o edifício); dois vasos sobre o portão lateral; lambrequins;
paramento na entrada e grades trabalhadas.
Toda a estrutura de madeira aparente está em bom estado de conservação:
pilares, vigamento de madeira do porão e no sótão (tesouras, caibros, terças,
forros). Supõe-se que as madres e outras peças não aparentes estejam
conservadas, haja vista a ausência de resíduos visíveis em quaisquer espaços
físicos existentes.