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Professora Jandira Telles Leme Pragana

Mulheres de Fato e de Feitos - 02

 29/05/2026     Historiador Sebastião Deister      Edição 534
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Jandira Telles Leme nasceu na cidade de Serra Negra (SP) no dia 25 de janeiro de 1898, casando-se, aos 24 anos, com Zair Pragana, com quem teve quatro filhos; Dalmo, Dalmar, Dilma e Dilze. Funcionário ligado à ferrovia, Zair foi então transferido para a localidade de Engenheiro Paulo de Frontin, onde Jandira pôde dedicar-se à criação dos filhos e às suas atividades profissionais como professora. Em 1936, ela recebeu sua nomeação oficial para o cargo de professora do Estado do Rio de Janeiro, iniciando ali mesmo sua carreira como mestra em Francês e Língua Portuguesa.

Já em 1941, o casal viu-se então transferido para Miguel Pereira, indo morar em uma casinha bem próxima da estação ferroviária. Enquanto o marido trabalhava, Jandira mergulhava de corpo e alma nas atividades educacionais de Miguel Pereira, especialmente junto à Escola 13 de Maio (então funcionando junto à entrada do bairro Praça da Ponte), posteriormente transformada em grupo Escolar Dr. Antônio Fernandes, do qual, aliás, seria diretora por muitos anos.

Suas qualificações como professora de Língua Portuguesa e Francês - idioma que veio a ser uma apreciável novidade na ainda pequena Miguel Pereira -, sua educação esmerada, sua postura elegante e vistosa, a atenção que dispensava aos amigos e o prazer que demonstrava ao abraçar as causas do ensino e da cultura naquela época tão difícil para a cidade, transformaram-na em uma das personagens mais admiradas, benquistas e até mesmo imitadas do lugar.

Se os problemas da cidade remetiam-se ao ensino, ela não via obstáculos ou cansaço: convencia comerciantes a colaborar com o estoque de merenda, persuadia pais a executarem pequenos serviços de reparo na escola nos finais de semana, exigia sempre a presença das crianças nas salas de aula - verificando listas de presença e possíveis abonos de faltas -, observava a higiene de unhas e cabelos dos jovens mais humildes, orientava as famílias no sentido de aprimorar os trabalhos dos estudantes em casa e monitorava as atividades de outras professoras, fazendo assim com que toda comunidade participasse dos serviços de melhoria do ensino na Serra de maneira constante e eficaz.

Jandira ia bem além da seriedade no trato que dispensava às salas de aula e às suas subordinadas ou meras companheiras de magistério, procurando manter frequentes diálogos esclarecedores e proveitosos com todos os colegas e funcionários da escola que dirigia. Honesta em seus propósitos, organizava com grande assiduidade vários grupos de colaboradores, pois sabia que dividindo tarefas e delegando responsabilidades estaria em plenas condições de compartilhar uma administração mais moderna e eficiente, em que erros e acertos poderiam ser partilhados e corrigidos. Com isso, aquela notável educadora multiplicava os valores da educação, aprimorava as técnicas de ensino, valorizava o serviço de suas colegas e a todos mostrava a importância de um trabalho coletivo, lentamente burilando a qualidade de serviço de cada um de seus agregados.

Tantos traços dessa admirável personalidade acabaram por criar laços indissolúveis de amizade, fraternidade e respeito entre Jandira e seus colegas de serviço, laços estes que se estenderam de imediato por entre praticamente todos os moradores de Miguel Pereira e Portela. Com a criação do Grupo Escolar Dr. Antônio Fernandes, Jandira foi nomeada sua diretora em 6 de abril de 1953, exercendo tal cargo até 1967.

D. Jandira também não se furtou ao prazer de trabalhar ao lado de outros eminentes mestres da cidade - como Mário Lopes Rêgo, Cornélio José Fernandes Neto, George Jacob Abdue, Darcy Jacob de Mattos e Alcebíades Laudelino Balthar - quando da campanha de criação do Ginásio Professor Miguel Couto Filho, em Miguel Pereira, no ano de 1957. De fato, em 1958 ela já militava junto à primeira turma desse novo educandário miguelense, lecionando sua querida Língua Francesa e ensinando às crianças a famosa Marseillase, o hino francês que ela fazia questão cerrada de que todos cantassem em qualquer solenidade mais expressiva no município, desde que após a execução do seu amado Hino Nacional. A propósito, quando da inauguração do prédio próprio do Grupo Escolar Dr. Antônio Fernandes em 15 de novembro de 1957, coube a D. Jandira saudar, com um vibrante e emocionado discurso, o então Governador Miguel Couto e o Prefeito Frederico Wängler, os grandes mentores daquela obra fundamental tão aguardada pela população miguelense.

Em 1962, Jandira perdeu seu amado Zair. Mesmo contando 64 anos na ocasião, ela não abandonou o trabalho educacional, permanecendo no cargo de diretora do Grupo Escolar, do qual se aposentou somente no dia 5 de abril de 1967, quando a escola e a comunidade miguelense promoveram uma esplêndida festa de despedida para sua mestra maior. Apesar de seu afastamento do Grupo Escolar, ela continuou auxiliando o Ginásio Miguel Couto por mais alguns anos.

Em 1976, já bastante cansada - porém feliz e ativa nos seus realizados 78 anos de idade - D. Jandira mudou-se para o Rio de Janeiro a fim de viver ao lado dos filhos e netos no bairro da Gávea, onde faleceu aos 100 anos no dia 25 de agosto de 1998. Em paz e saudade, seu corpo jaz no cemitério do Caju, no Rio.

Em 1990, como reconhecimento pelo muito que D. Jandira fizera por Miguel Pereira - tanto na área da educação quanto nas atividades sociais voltadas para a população mais desassistida - o então Prefeito Roberto Daniel Campos de Almeida houve por bem utilizar o espaço da antiga Igreja de Santo Antônio (entregue ao município pela Paróquia que construíra uma nova matriz para a cidade) e nele criar o Centro Municipal de Cultura - ali apondo o nome daquela admirável professora -, e inaugurando-o com grande alegria em 16 de março daquele ano. Mais do que justiça ao nome de nossa mestra-símbolo, resgatava-se ali parte da própria identidade cultural e educacional de Miguel Pereira, já que assim temos perpetuada em nossa cidade a lembrança de uma figura humana que é parte integrante da história do magistério em nossa terra, magistério que ela, como ninguém mais, soube exercer com raro brilho, profunda competência e ilimitado amor por todo município.