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Universidade de Vassouras está produzindo biodiesel

Universidade consolida parceria com Prefeitura, Pesagro e FAPERJ em projeto de produção de biocombustíveis

 24/07/2026     Tecnologia      Edição 536
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A Universidade de Vassouras e a Prefeitura Municipal de Vassouras vêm consolidando uma parceria que demonstra, na prática, como ciência, inovação, educação e gestão pública podem caminhar juntas em favor da sustentabilidade. Por meio do Projeto BioVassouras, o óleo de fritura usado, que é um transtorno seja para a tubulação de esgoto (provocando entupimento), como para o meio ambiente, é transformado em biodiesel, estabelecendo um modelo de economia circular que beneficia o meio ambiente, contribui para a formação de futuros engenheiros e retorna diretamente para a população na forma de um serviço público mais sustentável.

A iniciativa teve início em maio de 2022 e reúne a Universidade de Vassouras, a Prefeitura de Vassouras, por meio da Secretaria Municipal do Ambiente, Agricultura e Desenvolvimento Rural, e a Cesbra Biodiesel. O projeto integra um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da Educação Ambiental, alinhadas ao Plano Municipal de Educação.

O ciclo sustentável começa com a coleta seletiva realizada pela Prefeitura, em parceria com a cooperativa responsável pelo serviço. O óleo de fritura descartado pelo comércio local, que normalmente seria lançado na rede de esgoto, passa a ser recolhido e encaminhado ao Laboratório de Biodiesel da Universidade de Vassouras.

12.000 litros de óleo de soja usados ao ano viram biodiesel

Anualmente, cerca de 12 mil litros de óleo residual recebem essa destinação ambientalmente correta. Esse volume, inclusive, foi objeto de um estudo científico desenvolvido pela Universidade, que registrou a coleta de 11.803 litros em 2021, 11.822 litros, em 2022 e 12.842 litros, em 2023, demonstrando a regularidade da coleta e o enorme potencial de aproveitamento desse resíduo como matéria-prima para a produção de biocombustíveis.

Padrão da Agência Nacional do Petróleo

No Laboratório de Biodiesel, professores e alunos do curso de Engenharia Química acompanham todas as etapas do processo produtivo, desde a caracterização da matéria-prima até a obtenção do biodiesel, sempre em conformidade com os rigorosos parâmetros de qualidade estabelecidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A infraestrutura instalada na Universidade permite a produção em duas escalas. A planta piloto possui capacidade para produzir 16 litros de biodiesel por batelada, enquanto o reator principal produz 50 litros por batelada, em ciclos de aproximadamente cinco horas.

Esse avanço na capacidade produtiva foi possível graças ao fortalecimento do projeto, por meio da parceria estabelecida com a Pesagro, no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica firmado com a Universidade de Vassouras. Com recursos obtidos junto ao Programa CapacitAgro, desenvolvido pelas Secretarias de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e de Ciência, Tecnologia e Inovação, por intermédio da Pesagro e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), foi possível implantar o reator de maior capacidade, ampliando significativamente o potencial de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico do laboratório.

O aspecto mais inovador do Projeto BioVassouras está justamente na conclusão desse processo. O biodiesel produzido na Universidade retorna à Prefeitura para abastecer os veículos utilizados na própria coleta seletiva do município. Em outras palavras, o óleo de fritura recolhido pela coleta seletiva transforma-se em combustível para movimentar os caminhões responsáveis por esse mesmo serviço. Trata-se de um exemplo concreto de economia circular, no qual o resíduo gerado pelo comércio local é recolhido pelo poder público, transformado em energia limpa pela Universidade e devolvido ao município para impulsionar a própria operação de coleta. É um ciclo completo que une gestão pública, ciência, inovação e sustentabilidade em benefício da população.

A última entrega de biodiesel produzido no Laboratório da Universidade foi realizada em 21 de dezembro, reforçando que a iniciativa já faz parte da rotina dessa parceria entre universidade e poder público.

Os benefícios ambientais vão muito além da substituição parcial do diesel fóssil. O projeto evita que milhares de litros de óleo sejam descartados na rede de esgoto, reduzindo a contaminação dos recursos hídricos, minimizando impactos ambientais e contribuindo para a preservação dos rios e mananciais da região.

O subproduto glicerina vira sabonete

Outro diferencial é o aproveitamento integral dos produtos obtidos durante o processo. A glicerina, principal coproduto da produção do biodiesel, também recebe destinação sustentável. Em vez de ser descartada, é utilizada em pesquisas voltadas ao desenvolvimento de produtos de higiene, fabricação de sabões e aplicações na construção civil, como aditivo e aglomerante para concretos e argamassas, ampliando ainda mais os ganhos ambientais da iniciativa.

O projeto também extrapola os limites do laboratório. Em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, a Universidade promove ações de capacitação para professores de Ciências Naturais da rede municipal, disseminando conhecimentos sobre a produção de biodiesel, sabão e bioplásticos a partir do óleo residual de fritura. Dessa forma, pesquisa científica, inovação tecnológica, educação ambiental e extensão universitária caminham lado a lado.

O Projeto BioVassouras foi concebido por uma equipe multidisciplinar da Universidade de Vassouras, tendo entre seus idealizadores a professora Cristiane Siqueira, além de outros pesquisadores da Instituição. Ao longo dos últimos anos, a iniciativa consolidou-se como um importante ambiente de ensino, pesquisa e extensão, permitindo que os estudantes de Engenharia Química acompanhem todas as etapas da produção do biodiesel, desenvolvendo competências técnicas em uma área estratégica para o futuro da matriz energética brasileira.

O crescimento do projeto também é evidenciado pelo reconhecimento conquistado junto às principais agências de fomento do Estado do Rio de Janeiro. Além dos dois ciclos já aprovados no Programa CapacitAgro, que viabilizaram bolsas de Treinamento e Capacitação Técnica (TCT), a Universidade de Vassouras teve aprovado, recentemente, um novo projeto na 3ª edição do Programa CapacitAgro, reafirmando a qualidade de suas pesquisas e a confiança depositada pelas instituições de fomento.

Óleo de macaúba vai incentivar a produção da palmeira por agricultores da região

Essa nova etapa amplia significativamente o escopo do BioVassouras. Além do aproveitamento do óleo residual de fritura, os pesquisadores passarão a desenvolver estudos utilizando blends entre o óleo residual e o óleo de macaúba, incentivando a produção dessa palmeira por agricultores da região e fortalecendo uma nova cadeia produtiva voltada aos biocombustíveis sustentáveis. A proposta aproxima ainda mais a Universidade do setor agropecuário, estimulando o desenvolvimento rural, agregando valor à produção agrícola e ampliando as possibilidades de utilização de matérias-primas renováveis.

Reitor

Segundo o reitor da Universidade de Vassouras, Marco Antonio Soares de Souza, o BioVassouras demonstra como a universidade pode transformar conhecimento científico em desenvolvimento regional.

"O BioVassouras é um exemplo claro da missão da Universidade de Vassouras: produzir conhecimento que gere impacto positivo na sociedade. Conseguimos integrar ensino, pesquisa, extensão e poder público em uma iniciativa que transforma um passivo ambiental em energia limpa, formação de profissionais e melhoria dos serviços prestados à população. O aspecto mais emblemático desse projeto é justamente o fechamento do ciclo: o óleo de fritura coletado pela Prefeitura retorna como biodiesel para abastecer a própria frota da coleta seletiva. Hoje, esse trabalho também conta com importantes parceiros estratégicos, como a Pesagro-Rio e a FAPERJ, demonstrando que a boa ciência atrai confiança, investimentos e gera desenvolvimento. Estamos formando engenheiros, protegendo nossos recursos hídricos, incentivando novas cadeias produtivas no campo e mostrando que a universidade pode ser protagonista na construção de soluções concretas para os desafios da sociedade", concluiu o reitor.

Mais do que produzir biodiesel, o Projeto BioVassouras tornou-se uma plataforma de integração entre universidade, poder público, setor produtivo e comunidade. É um modelo que alia desenvolvimento científico, inovação tecnológica, formação de recursos humanos altamente qualificados, educação ambiental e compromisso com a sustentabilidade, reafirmando o papel da Universidade de Vassouras como uma instituição comprometida com o desenvolvimento regional.

Transformar um resíduo que antes poluía rios e redes de esgoto em combustível renovável que movimenta a própria coleta seletiva é mais do que uma inovação tecnológica, é a demonstração de que, quando universidade, poder público, instituições de pesquisa e sociedade trabalham juntos, o conhecimento deixa os laboratórios, chega às ruas e melhora a vida das pessoas. Esse é o verdadeiro propósito da Universidade de Vassouras: transformar ciência em desenvolvimento sustentável para o Estado do Rio de Janeiro e para o Brasil.